Contos Secretos - Os meus contos eróticos

Fragmentos secretos revelados em pequenos contos, desabafos, memórias, sonhos e realidades.
Os meus Contos Secretos.
Chhiiiuuu...
Faça-se silêncio, prestem atenção e guardem o que vos vou revelar.

08-07-2008

Rubro ritual

Posted by {-Sutra-} in Imagem-Texto @ 11:50 am


Fotografia de Autor Secreto

O ritual da fémea. A mulher que se olha no espelho, sorri e sabe que efeito causar no amante. Ele espera-a. Ela fá-lo esperar.
A lingerie foi escolhida com prazer. Com a mesma paixão com que a irá vestir. A mesma com que ele lha irá despir. Vermelha. Veste a primeira peça, suave como a sua pele.
Pousa um pé na beira do cadeirão de veludo negro que se encontra a um canto do quarto, junto da varanda. Unhas rubras brilham num pé delicado que se irá perder nas costas do amante. Pés fincados nas suas nádegas quando o seu corpo forte a dominar, invadindo todas as suas emoções, penetrando fundo na sua alma.
As meias de liga com encaixe em renda, sobem pela pele acetinada das pernas longas, cobrindo-as de negro.
Cada gesto aparentemente estudado ao mais ínfimo pormenor é, na verdade, o reflexo insinuante daquele hábito feminino enraizado nos caminhos curvilíneos que nasceram para torturar o homem. O macho. Aquele que pensando seduzir é, na verdade, o seduzido.
Os seios redondos, de mamilos erectos, são cobertos pelo vermelho que faz conjunto com o tecido dois palmos descendentes.
Pelo pensamento passam como uma fita de cinema, as imagens do olhar dele quando a vir a envergar a cor que lhe pediu. Rubro. Apaixonado. Veemente.
No piso inferior adivinha o nervoso dos passos masculinos enquanto a aguarda. O sentar no sofá. O cruzar da perna. Copo de whisky nos lábios. Em estado puro desce, escorrega na língua, invade a boca e desliza pela garganta, queimando-o. Não tanto como o ardor da luxúria que o domina quando pensa nela. A sua fémea. Amante.
A saia preta. Justa. Pelo meio do joelho. Falsamente discreta, de carne exposta pela abertura profunda lateral.
Sorri e recorda outras tantas noites em que, amantes, rebolavam em camas de hotéis, encontrando-se nas sobras de tempo preenchidas na plenitude pela volúpia que os detinha nas esquinas do tempo. Amantes. Desde sempre.
Desliza o acetinado da blusa provocadora que se lhe cola aos seios, revelando os mamilos excitados pelo desejo que a domina em cada gesto. Rubra.
Os ponteiros do relógio da sala rodam preguiçosamente, ironia estampada em cada minuto. A ansiedade da espera causa estranhas emoções no homem. Pousa o copo vazio, ergue o braço num gesto que afasta o punho da camisa descobrindo o relógio, na esperança de que esses ponteiros não o olhem jocosamente. Ainda perderiam a reserva que fizera como surpresa.
Os brincos de ouro que ele lhe oferecera fazia nesse dia um ano. O colar com que a presenteara dois anos antes. Nos dedos o mesmo de sempre.
Os sapatos. Negros. Salto fino, alto.
Sentou-se no cadeirão junto da varanda, cruzou a perna e deu início ao último gesto do ritual. Uma a uma, foi cobrindo as unhas de corte perfeito do mesmo acetinado rubro que lhe cobria os dedos dos pés. Por cada uma, a recordação de momentos de prazer. Um ano. Mais uma. Outro ano. Pouco a pouco a torrente rubra que vibrava no seu interior, reflectia-se no corpo que provocaria o seu amante.
Terminara o ritual. Estava pronta para ele.
Exasperado, revirou os olhos no pensamento repetido: mulheres!
O som fê-lo virar-se.
Descia as escadas de sorriso sedutor, na consciência de se saber desejada. Principalmente amada. Não podia pretender melhor amante.
A sua fémea. A sua paixão. A mulher que lhe dominava todos os sentidos.
Comemoravam dez anos de casados nesse dia. Os amantes. O ritual da sedução repetia-se momento após momento nas suas vidas.
Beijaram-se, deram as mãos e saíram no rubro ritual de paixão que se concretizava ano após ano.

© Sutra 2008

06-07-2008

Shiva - 100 dias da vida de uma cortesã - 14º Dia

Posted by {-Sutra-} in Diário @ 11:39 pm


14º Dia

6ª Feira.
11:37 horas.
Tinha acordado há cerca de dez minutos. Mensagem no telemóvel: ‘se estiveres livre, convido-te para almoçar. Portugália, na Almirante Reis. Às 13h. Q.’
- Prepotente – foi o segundo pensamento de Shiva. O primeiro foi a sensação de prazer que lhe causou o convite.
‘Estarei lá. S.’
Continuava a sentir-se atraída pelo homem que se mantinha a alguma distância dela.
Os outros dois sócios já tinham estado com ela no seu apartamento – um de cada vez – depois de ter começado a trabalhar para eles. Agindo como qualquer outro cliente, como se não fossem seus ‘patrões’, com o pagamento pelo tempo usufruído.
Mas não o Sr. Q. Apenas o seu olhar lhe queimava o corpo. Estranhava aquele convite. Seria a capitulação masculina? Mas o terreno era neutro, inócuo.
Tomou um banho demorado, colocou loção corporal por toda a sua pele, perfumou-se, vestiu lingerie branca, um vestido em tons de azul claro, apenas preso com uma tira ao pescoço, ajustando-se a cada curva do seu corpo, enaltecendo as suas formas. Completou com umas sandálias de tiras azuis, de salto não muito alto. Perfumou-se, agarrou na mala e olhou o relógio: 12h45m. Provavelmente chegaria atrasada. Sorriu. Gostava de o fazer esperar.
Estacionou o carro a cerca de 200 metros e encaminhou-se para a entrada da cervejaria. Quando passou a porta eram exactamente 13:10 horas. Dez minutos de atraso não era mau. Olhou pela sala e não o viu. Um empregado dirigiu-se-lhe:
- Uma pessoa?
- Não, venho ter com alguém.
- É com o Sr. Q?
– perguntou outro empregado que se aproximou rapidamente.
- Sim.
- Eu conduzo a menina. Ele telefonou a avisar que vai chegar um pouco atrasado, mas pediu para a levar à mesa habitual.

‘Este sacana vai deixar-me à espera’ – pensou ela, esquecendo que era precisamente isso que gostaria de ter feito e, devido ao atraso dele, fora impedida.
Chegou numa passada calma, sorriso no canto dos lábios, puxou a cadeira à frente dela, sentou-se e só então cumprimentou:
- Olá Shiva, como estás?
Uma pausa. Q chamou o empregado para lhe pedir um aperitivo.
Será que nem pediria desculpas pelo atraso?
- Olá.
- Desculpa o atraso, uma reunião que demorou mais que o previsto.
- Tudo bem
– respondeu, enquanto pensava ‘tudo bem nada!’
Perto dele parecia que todo o poder que a caracterizava se sumia, diluído no olhar quente, no sorriso, na voz profunda que atingia cada um dos seus nervos de uma forma irreparável.
- Porque me convidou para almoçar?
- Porque me apeteceu. Pensei que só falávamos dentro do clube e esta seria uma boa oportunidade de nos conhecermos melhor. Incomoda-te?
- De modo nenhum. Agrada-me.
– e olhou-o directamente no negro profundo como se lhe quisesse desvendar o verdadeiro motivo para estar ali com ela. Desejava-a? Sim. Viu esse cintilar num relance que logo ficou escondido pelo disfarçar de uma gargalhada.
O almoço foi um jogo de gato e rato. Sem se saber realmente qual era qual. Avanços e recuos. Seduções. Charme. Excitação à flor da pele.
Quando ele pediu os cafés, ela levantou-se do seu lugar sem dizer uma palavra. Sem o olhar.
- Onde vais? – perguntou, segurando-lhe o pulso, quando ela passou por ele.
- Ao wc, posso? – perguntou, sorrindo.
- Claro, só pensei que não dizias nada.
- Não me deste tempo
– respondeu, tratando-o por tu como ele lhe tinha pedido.
Largou-lhe o pulso e passou as costas da mão pela coxa feminina, num gesto que não pretendia passar despercebido e que a fez prender a respiração.
Almoço terminado, saíram da cervejaria, parando no passeio.
- Onde tens o carro? – perguntou-lhe Q.
- Em frente ao jardim. E tu?
- Também. Queres ir tomar alguma coisa?
- Onde?
- Sugere tu
– disse ele, com um trejeito trocista.
- Tens a certeza de que queres que seja eu a escolher?
- Claro.
- Está bem. Então vem atrás de mim.

E depois de uma hesitação:
- Ah, lembrei-me agora que… afinal não pode ser.
- O que não pode ser?
- Acabou-se a bebida em minha casa e tenho de ir comprar mais logo
– o sorriso era meio inocente, meio irónico, na intenção de que ele entendesse que por sua vontade levava-o para o apartamento para dar azo ao que o seu corpo pedia.
- Então escolhemos outro sítio. Território neutro. Vem no meu carro, depois deixo-te aqui.
- Ok.

Seguiram no caminho do alto do Parque Eduardo VII. A esplanada convidava a tardes de lazer. Desta vez não se sentaram frente a frente, mas de cadeiras muito juntas. Braços que se roçavam a cada movimento. Os odores que se misturavam numa simbiose de paixão.
Shiva queria deixar-se levar pelo desejo e provocá-lo até ele lhe demonstrar, sem qualquer margem para dúvidas, que a queria tanto como ela a ele. Mas o receio pela relação profissional mantinha-a na indecisão.
Até que sentiu os dedos dele repousarem na coxa, perto do joelho, aquecendo-a por sobre o tecido fino do vestido. Ele apertou-lhe a carne macia e subiu um pouco mais a mão. Olhava o horizonte como se nada se passasse. Ela levou o copo do sumo aos lábios, com a maior naturalidade que conseguiu aparentar, enquanto afastava um pouco as pernas. Permitiu-lhe a ele subir um pouco mais, quase aflorando a carne macia do sexo, por cima da barreira dos tecidos.
Estremeceu um corpo feminino. Revelou-se o desejo no corpo masculino. Olharam-se profundamente e, segundos depois, ele retirou a mão. Ela voltou a cerrar as coxas.
O trajecto de regresso nada revelou e ele parou o carro junto do dela. Saiu, deu a volta, abriu-lhe a porta e ajudou-a a sair. Fechou a porta do próprio carro. Olhou em volta subtilmente, o corpo feminino ainda entre ele e o carro. Sem se tocarem. Olhou nos olhos de Shiva, sondando o seu pensamento. Ela retribuiu o olhar sem uma palavra.
Q prendeu-a de encontro ao carro, encaixou-se no meio das suas coxas, fazendo-a sentir o volume do pénis excitado. Levou uma mão a um seio e apertou-o, descendo para o vértice do sexo. Pressionou os dedos na vulva feminina, acariciou-a e aproximou a boca dos lábios rubros.
- Da próxima vez fodo-te, podes ter a certeza.
Largou-a, sorriu e despediu-se:
- Até logo, Shiva. Não esqueças de ir comprar as bebidas. Gosto de Gin e de Whisky.
Ela voltou as costas em silêncio, meteu-se no carro e arrancou furiosamente para o apartamento.


© Sutra 2008

04-07-2008

Salero

Posted by {-Sutra-} in Diário @ 12:18 pm


Salero

Nota: para uma especial.

© Sutra 2008

02-07-2008

XIII

Posted by {-Sutra-} in The Life @ 8:22 pm

1999 – Setembro.
19 anos
Namorado: Luís.
Por agora conto mais uma das nossas aventuras diabólicas, que preencheram o cerca de um ano de namoro. Ter começado com o Luís a disfrutar das delícias do sexo (com penetração) foi realmente o melhor que me poderia acontecer. Carinho, apaixonado e maluco q.b. Mas um maluco muito querido e, com ele, o sexo sempre foi uma novidade.
O que vou contar passou-se numa noite de Sábado em que saíamos com amigos, como era habitual. Depois do jantar, fomos tomar café, todos juntos e com eles ficámos até cerca da meia-noite, quando resolvemos dar o nosso passeio. Assim que nos enfiámos no carro, ele disse de imediato:
- Hoje vamos mais longe!
- Onde, amor?
- Vamos à Serra da Arrábida. Esta noite é foda no meio da serra!
- Ao ar livre? Com este frio, , amor?
- Não vais ter frio! Quando te começar a passar as mãos pelo corpo, passa-te o frio! E quem te disse a ti que precisamos de nos despir?
- respondeu, rindo.
O certo é que a ideia de fazer sexo, despindo apenas a parte de roupa essencial ao acto, ao ar livre e no meio da serra, começou a actuar em mim como um potente afrodisíaco, e a minha mão que ía em cima da coxa dele, logo passou para a braguilha, desapertando o fecho e libertando aquele membro que fazia as minhas delícias. Se as carícias que lhe fazia na coxa, já o haviam feito despertar, quando se sentiu preso na minha mão, ergueu-se imponente a pedir por mais, no que não me fiz rogada.
O Luís tentava prestar atenção ao caminho com o máximo cuidado e de 70-80 km/hora que seguíamos, reduziu para 40-50, chegando o assento ligeiramente para trás. Sorri, sabendo o que ele queria e soltando o meu cinto de segurança - sim, eu sei que não deveria, mas de outra forma é impossível - debrucei-me sobre o seu corpo e comecei a beijar suavemente o pénis, enquanto as mãos deslizavam por ele em movimentos de vaivém, apertando suavemente, massajando, alisando, enquanto os lábios o rodeavam e a língua saboreava o seu gosto deslizando pela pele. Abocanhei-o, enquanto ouvia o som dos seus gemidos e suspirava:
- Se continuas, eu venho-me!
Em vez de me conter, sorri e continuei, chupando-o devagar, e aumentando o movimento dos dedos que lhe pressionavam a carne. De repente, senti um solavanco no carro, antes de parar por completo, e ouvi-o em voz rouca:
- Não aguento mais! Tenho de me vir! Onde o queres?
Já algumas vezes que ele havia insistido para se vir na minha boca, mas eu nunca o quis e aquela vez não foi excepção. Depois de tirar a cuequinha, ergui-me do assento, encaixei-me entre o corpo dele e o volante e, sentei-me naquele sexo rijo e pulsante, que se enterrava em mim, ansioso pelo orgasmo. Não decorreram muitos minutos e ele veio-se copiosamente dentro de mim. Ficámos abraçados, com ele ainda rijo dentro do meu corpo. Mas não pensei no meu prazer naquele momento - o meu prazer era o prazer dele. E, apesar de estar em brasa e querer satisfação, eu queria esperar pelo nosso destino. Retirei-me de cima do corpo dele e baixei-me para o lamber ainda, fechando-lhe depois as calças e guardando aquele sexo ainda semi-erecto. Beijámo-nos e só quando me sentei de novo no meu lugar é que reparei que ele tinha saído da estrada e estavamos na berma, no meio do escuro - pois, daí o solavanco.
Isto era sexo! Sexo! Sexo!
Seguimos o caminho, com o gosto a sexo na boca e o odor a prazer no ar.
Fomos na direcção do Portinho e descemos até ao parque de estacionamento onde tem um restaurante - e onde a estrada não tem saída - e saímos do carro de mãos dadas, seguindo pelo carreirinho que vai dar à praia mais à frente.
Pelo caminho fomos trocando beijos cada vez mais acesos, com mãos a passear por dentro da blusa, por baixo da saia - as cuequinhas tinham ficado no carro - e até que não resistimos mais e puxei-o até a uma árvore que ali estava mesmo a jeito. Baixei-me na sua frente, abri o fecho, puxei pelas suas calças e tornei a saborear a sua pele, a sua carne, ainda com o gosto da paixão anterior.
Luís gemia e eu não lhe ficava atrás. Apenas o facto de o sentir entre os meus lábios e, a sua excitação traduzida nos sons roucos que lhe saíam da garganta, excitava-me a ponto de quase ter um orgasmo sem mesmo ele me tocar.
Ergui-me e encostei-me à árvore, ele encostou-se ao meu corpo acariciando o meu sexo húmido e desejoso do dele. Não esperei pelo seu passo seguinte e, agarrando-lhe o membro, introduzi-o dentro de mim, sentindo-o em todo o seu esplendor.
Ele agarrou-me pelas coxas, ergueu-as e enrolei-as em redor da sua cintura, apertando os braços no seu pescoço.
A pressão contra a árvore estava a deixar-me alucinada e esqueci tudo em meu redor apenas para o sentir dentro de mim, naquele movimento de vaivém, umas vezes mais lento, outras mais rápido, umas penetrando até ao fundo, outras quase saíndo do meu corpo e fazendo uma pausa, o que me desesperava pela urgência em satisfação. Até que acelerou o ritmo dos movimentos e atingimos um orgasmo louco, arrepiante, satisfatório, enquanto trocavamos um beijo suado e ofegante.
Terminámos a noite na areia, abraçados a conversar, enquanto trocávamos carinhos.
Foi uma das noites mais loucas e das melhores que demos durante o nosso namoro. Nunca esquecerei aquela serra por causa disso.
Quanto a outras aventuras com ele, talvez um dia fale sobre elas. Agora é tempo de continuar a viagem no tempo.

© Sutra 2008

01-07-2008

B & W

Posted by {-Sutra-} in Diário @ 4:52 pm

© Sutra 2008

29-06-2008

Dádiva feminina

Posted by {-Sutra-} in Imagem-Texto @ 9:50 pm


Fotografia de Autor Secreto

- Uma dádiva.
- O quê?
- Sim. É só o que te peço. O fruto doce. Sumarento. Senti-lo entre os meus lábios. Degustar o seu paladar. Provar como se abre perante o toque suave da minha língua. O seu estremecer espremido na minha boca e poder usufrui-lo, no intenso gemido que te fará capitular.
- Serás merecedor?
- Apenas tu o podes dizer. Serei?
- Depende do que fizeres para o teres entre os teus lábios. Envolvido na tua carne. Penetrado pela tua paixão.
- Revela-me como.
- Segredar-to-ei.

Brilha na cor da paixão o fruto que se estende no limiar dos dedos que o desejam. Lábios cerrados. Vigiam as pontas curiosas que se aproximam para os tactear. O fruto não se recolhe. Não se retrai. O anseio de se abrir para receber a carícia quase vence a batalha. Ai a luxúria que consome o fruto vermelho. Ai a dor do prazer que se obriga a prolongar. A carne doce que tanto quer derreter-se na boca estendida. Aguarda. Numa espera agridoce. Os dedos avançam. Tacteiam a humidade sumarenta. Terminou o tempo de esperas e os lábios entreabrem-se como que chamando pela sensualidade de um beijo que não se equipara a qualquer outro. Desejo. A curiosidade é mais forte e é preciso conhecer o interior do fruto. Penetram. Sentem o envolvimento quente, fresco dos lábios que os beijam, fechando-se sobre esses dedos perscrutadores. Não há vacilações. Simplesmente avanços. Recuos. Reconhecimento da carne sumarenta e vermelha. Plena de vida. Palpitante. A boca aproxima-se para o toque de mestre no fruto que o aguarda entre suspiros e gemidos. Quer sentir-se derretido entre aqueles lábios que o vão devorar. Apertado na língua que o vai saborear. Deixar escorrer o sumo voluptuoso que sai do seu âmago, enquanto se sente invadido pelos dedos ansiosos que levam à boca o manjar desejado. Geme. Abre-se sem receios para receber todo o prazer com que sonhou. É um corpo separado de toda a eventualidade de um ser. Um fruto vermelho. Doce. Sumarento. De lábios abertos. Entregue na boca que o toma para si. Fruto possuído. Desfeito no prazer de ser degustado. Num trejeito apenas seu, de fruto, os lábios sorriem na luminosidade do néctar que ainda desliza até à boca que recebeu a dádiva.

- Ganharei esse fruto.
- Já o tens.

© Sutra 2008

27-06-2008

XII

Posted by {-Sutra-} in The Life @ 11:17 am

1999
18 anos
Namorado: Luís – ainda.
Não posso deixar de recordar alguns episódios com o Luís que ainda hoje me fazem sorrir e sentir uma emoção suave e bonita.
Como por exemplo aquele que aconteceu cerca de uma semana depois de termos feito amor pela primeira vez – e já depois de termos repetido a dose mais umas quantas – numa noite muito quente, a fazer vibrar desejos. Eu faria os 19 anos nesse mesmo mês – Julho – quando isto aconteceu.
Passeávamos junto à praia, de mãos dadas, com silêncios intercalados por beijos, quando resolvemos sentar no muro e, sentada de lado no seu colo, iniciámos uma sucessão de carícias que mais não fez que nos incendiar os corpos que, a essa altura, estavam ainda - ou já - em lume brando. Lembro bem da sua mão a subir pelas minhas coxas, acariciando a pele, apertando a carne, fazendo com que se abrissem, involuntariamente, dando passagem aos seus dedos para que tocassem o meu sexo que os chamava. Quase consigo sentir o modo como os seus dedos acariciavam por cima do tecido, a sua língua gulosa enlaçada na minha, o seu pénis duro por baixo do meu rabo, roçando-se nele, e o desejo de fazer amor ali mesmo, apesar das pessoas que passavam esporadicamente, olhando-nos de relance.
Ficámos ali por longos - ou curtos - minutos, até que, não aguentando mais o desejo mútuo, olhámo-nos fixamente e o Luís fez-me levantar do seu colo, puxou-me por uma mão e atravessámos a estrada para junto daquela moradia mesmo ali em frente.
Aquele louco queria que saltássemos o muro para darmos a queca lá dentro. ‘Está doido’ - pensei eu. E quase que a excitação desaparecia naquele minuto. Mas, a verdade é que acabou por me excitar ainda mais a aventura. O receio do perigo corria nas veias, fazendo o desejo crescer mais ainda. E, lá demos a volta até encontrar o portão baixo que saltámos que nem dois doidos, rindo, depois de ele me garantir que não estava ninguém dentro da casa naqueles dias. Não sei se assenti por ter acreditado mesmo ou porque não quis pensar em esperar mais para satisfazer o desejo.
Estavamos já lá dentro e era o que interessava! Demos a volta à moradia e, da parte da frente, havia um jardim pequeno, apenas com relva fofa e um arbusto baixo - não sei que espécie de árvorezinha, eu lá estava preocupada com as espécies da nossa flora, a minha preocupação era outra… flora. Além disso, era noite escura e a única luz que tínhamos era do candeeiro público a uns 50 metros.
Beijámo-nos e fomos baixando os corpos até nos deitarmos na relva. Depois de alguns minutos de carícias, das suas mãos nos meus seios, bocas coladas, da minha mão a afagar o seu sexo por cima das calças, ele ficou de joelhos, olhando as minhas pernas nuas, afastadas, a saia enrolada na cintura e, desapertando as calças, colocou o pénis erecto para fora; depois tirou-me a tanga vermelha que levava vestida, atirando-a para o lado, e, puxando-me pelas nádegas, fazendo com que levantasse o rabo do chão, entrou em mim com golpes sucessivos, penetrando-me profundamente. Cruzei as pernas na sua cintura e puxei-o mais para dentro do meu corpo, querendo senti-lo em toda a sua plenitude.
Momentos depois recordo que as minhas pernas já estavam nos seus ombros enquanto ele, de joelhos, continuava a empurrar o seu corpo dentro do meu, em movimentos cada vez mais rápidos e desenfreados, levando-nos à loucura. Viémo-nos assim, entre suspiros, gemidos e palavras apaixonadas.
No final, ele guardou a minha tanga vermelha no bolso das calças e disse que ficava com ela. Fui nua debaixo da saia até à casa de férias que os meus pais tinham alugado. Se eles estivessem acordados, nem sei como me sentiria, só de imaginar como eu estava.
Foi dos orgasmos mais fortes que tivemos juntos. O receio de que alguém passasse junto ao muro e nos ouvisse, ou se fôssemos apanhados lá dentro, fez subir a adrenalina, dando-nos mais prazer.
Foi aí que comecei a adorar aquela posição de colocar as pernas nos ombros. Foi a primeira vez mas não a últimas que a fizemos. Sempre me deixou completamente louca essa posição.
Há ainda outro episódio que já contei [mas vou contar de novo] com o Luís. Digamos que foram aqueles mais marcantes, apesar de terem existido outros que contarei um dia.

© Sutra 2008

26-06-2008

Projecto

Posted by {-Sutra-} in Diário @ 2:22 pm

Quem me tem acompanhado neste percurso, neste tempo de existência, uns há mais tempo que outros [o tempo não tem relevância] sabe que raramente utilizei qualquer imagem ou fotografia que não fosse as minhas próprias fotografias.
Existiram algumas experiências, nomeadamente a Oferta dos riscos do TCA e a Ilustração de contos da BM do Perfect Noire que foi interrompida pela ausência da própria, com muita pena minha, pois os seus desenhos são extraordinários.
Noutros casos fui colocando uma ou duas imagens relacionadas com o conto ou texto.

O último artigo publicado foi um mero exemplo de algo que está a nascer neste momento. Uma experiência a dois. Desafios. Eu recebo uma fotografia da autoria da pessoa que vai partilhar comigo esse projecto. E escrevo o que essa fotografia me inspira. Até ao momento em que a recebo no mail, nada sei sobre ela. Nada me é dito sobre ela. Será simplesmente a minha interpretação do que vejo e interiorizo. O resultado será publicado aqui. No artigo anterior, a fotografia é da autoria de Edward Weston, no entanto, as fotografias que farão parte deste projecto serão todas do mesmo autor. Deste meu parceiro de projecto falarei a seu tempo.

Nada do que tem sido feito até aqui ficará para trás [exemplo disso é um The Life que virá mais logo]. O que já existe continuará, e outras coisas novas surgirão muito em breve.

Espero que gostem.

Para os mais incautos fica o aviso de que, além de os meus textos se encontrarem devidamente registados na IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais), aliás como sempre, as suas fotografias fazem parte de um trabalho registado na SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), pelo que, qualquer cópia integral ou parcial dos mesmos é totalmente proibida e punível.

© Sutra 2008

25-06-2008

Contorcionismo de Sentidos

Posted by {-Sutra-} in Imagem-Texto @ 2:24 pm


Fotografia de Edward Weston

Parada. Como que abandonada pelo mar e pelo vento.

Sou a concha que se enrola em si mesma e esconde o rosto esculpido pelas emoções de paixão. Deixo uma fresta aberta no ventre. Porque te espero. Encosta o teu ouvido na minha pele e escutarás o silêncio de todas as palavras que tenho por revelar. Nem sei porque o digo ou porque o faço. Apenas sinto este ardor incessante da espera do teu toque arrastado pelo vento.

Abandonada na maré de um sentimento perdido em ondas de espuma. Finco-me firmemente na rectidão de uma linha que só poderá ser ultrapassada pelos dedos que me descobrirem.

Não tenho panos para desfraldar. Somente sonhos por revelar. Torço o pescoço. Enrolo-o um pouco mais como se pudesse com os lábios tocar-me a nuca. Por dentro. Tento alcançar o mais distante de mim para me entender. Quando o conseguir expor-me-ei sem barreiras. Peito desnudo, ventre revelado. Nele te acolherei e encerrarei as portas para que não se esfume o momento. Tu ficarás dentro de mim. Nas ondas de prazer que me permitirei conceder-te. Na paixão com que me olharás por dentro.

Até lá apenas espero.

Parada. Como que abandonada pelo mar e pelo vento.

© Sutra 2008

24-06-2008

Shiva - 100 dias da vida de uma cortesã - 13º dia

Posted by {-Sutra-} in Contos, - Shiva - 100 dias da vida de uma cortesã @ 3:11 pm


13º Dia

3ª Feira.
12:46 horas.
Rebolou na cama, relembrando ainda a noite anterior. Supostamente era o dia em que não recebia ninguém, mas o telemóvel tocara e o nome que aparecia no visor fizera-a mudar de planos. O Sr. I. Uma marcação para essa noite, para ele e para o seu amigo, o Sr. W. Não pudera recusar. Principalmente ao recordar-se da noite no Clube, três dias antes, dos olhares deles e das mãos do Sr. I.
Combinara com ele para daí a três horas, cerca das 20h, o que lhe permitiria sair para algumas compras e ainda preparar o ambiente adequadamente para mais uma noite de luxúrias.
Sentia ansiedade pelo que seria aquela noite, com aqueles dois homens charmosos. Shiva não vendia o corpo. Ela trocava prazeres. Dava prazer e recebia em troca prazer e dinheiro. O corpo era a sua moeda. A dos clientes, as notas chorudas que deixavam ficar, após aqueles momentos de luxúria.
Shiva sempre retirava prazer com o que fazia, com a forma como o fazia. Os detalhes, as escolhas, a decoração, a preparação para cada noite. Tudo era previamente pensado e realizado.
A música fazia lembrar o Oriente, acordes que entoavam languidamente pelas paredes do quarto, os lençóis em cores quentes do deserto, o incenso com perfume a canela e jasmim, junto da janela encoberta por uma cortina em tons quentes. Num canto uma mesa redonda com um Don Perignon Blanc de 1998 e algumas entradas de marisco, queijo e caviar que preparara. Tudo havia sido cuidado ao mínimo pormenor. Incluindo o modo como se vestir: um diáfano caftã em tons de amarelo, laranja e vermelho, num desenho que fazia lembrar murais de arte Latino-América. O cabelo solto em ondas avermelhadas pelas costas seminuas que o tecido meio caído do ombro permitia revelar. Os olhos acentuados pelo traço negro, tornando-os maiores e penetrantes. Os lábios cheios, brilhantes, gulosamente provocadores. O perfume era suave e quente. Sedutor. Como Shiva.
O soar da campainha na hora marcada, confirmou mais uma vez a pontualidade britânica: o Sr. W tinha origens londrinas.
- Sinto-me a entrar no palácio secreto de uma princesa das Arábias – cumprimentou o Sr. I.
Shiva sorriu e fez um gesto para que entrassem.
- Melhor que uma princesa das Arábias. Shiva a mais bela acompanhante de Lisboa – respondeu o Sr. W.
- Cortesã – corrigiu o Sr. I – pressinto que a Shiva gosta de ser tratada por cortesã, fazendo recordar tempos memoriáveis da corte, dos favores aos homens da realeza. Tenho razão Shiva?
- Apenas não gosto de seguir padrões, de que me enquadrem em grupos, mesmo sabendo que isso acontecerá sempre.
- Um detalhe.
- Um capricho, talvez.
- Às belas mulheres esses caprichos são um acessório que as adorna. Belas como tu, Shiva.
Estava habituada aos galanteios. Às palavras sedutoras. Apesar de ser contratada para um serviço, ser paga para dar prazer aos seus clientes, a verdade é que eles sempre sentiam aquela necessidade da conquista, da sedução e do galanteio. E de a presentear com perfumes, flores, alguma lingerie, os mais ousados, e até ofertas de viagens e estadias.
O Sr. I e o Sr. W traziam-lhe um ramo de rosas em tons salmão.
Os primeiros instantes foram de diálogo, conhecimento, trocas de olhares, conhecimento do terreno por parte deles, apreciação do desejo masculino, por parte dela. Da sala, passaram ao quarto e as roupas eram agora o empecilho do aguçar do desejo. Shiva aproximou-se do Sr. W e ajudou-o a despir o casaco. Depois puxou-lhe pela gravata, olhando-o nos olhos fixamente, desafiando-o a desviar o seu. Encostou o corpo no dele, envolvendo-o com o seu perfume e sentindo a proeminência do sexo encostar-se-lhe na coxa. Ele baixou o rosto para a beijar. Shiva ofereceu-lhe o pescoço. A boca do homem deslizou pelo seu colo na direcção do vale entre os seios. Os seios redondos, cheios, de mamilos rosados que apreciara no show, não lhe saíam do pensamento e ansiava senti-los na sua boca. Chupá-los, lambê-los, morder-lhe a carne que imaginava suave como seda. Enquanto se deliciava na pele perfumada, ela tinha-lhe despido a camisa e desapertado as calças. Afastou-se enquanto ele terminava de se despir. O tecido de cores quentes que cobria o corpo feminino deslizara pelo ombro e deixava a descoberto um dos seios. A tentação para os olhos masculinos. Já despido, W puxou-a pela cintura e abarcou o seio desnudo com a mão quente, forte.
Atrás de Shiva o Sr. I já retirara todas as roupas e observava os movimentos entre o seu amigo e aquela deusa do sexo. Aproximou-se e ergueu-lhe os cabelos longos para encostar a boca à nuca, depositando beijos húmidos por toda a sua extensão. Deixou escorregar uma mão e tocou-lhe nas nádegas ainda cobertas pelo caftã, acariciando-as, apertando a carne rija entre os dedos longos. Encostou o baixo ventre no corpo feminino. Ouviu um suspiro. O Sr. I não soube identificar quem o teria soltado. Se Shiva, quando sentiu o seu sexo duro e latejante contra as nádegas, se o amigo W ao sentir os dedos da mulher a rodear-lhe o pénis latejante.
Dois homens excitados, dois corpos nús. Entre eles um corpo feminino tão excitado quando o deles, mas ainda coberto por aquele pedaço de tecido que rapidamente começou a ser despido, deslizando pelos ombros até à cintura, descendo pelos quadris, até cair nos tornozelos, para revelar o corpo de formas perfeitas de Shiva. Apenas uma minúscula transparência negra lhe cobria o sexo e se escondia entre as nádegas. Seria a última barreira. Prensada entre W e I, Shiva torturava-os rebolando o corpo, enquanto a boca se dividia nos beijos, ora a um ora a outro. As mãos femininas seguravam os pénis de ambos, acariciando-os, provocando. Sentia as mãos deles por todo o seu corpo, nos seios, nas nádegas, entre as suas coxas, alcançando o sexo húmido.
Empurrando W para se distanciar, Shiva começou a beijá-lo descendo pelo peito, barriga, lambendo a pele, soltando mordidas, aqui e além, que sentia deixá-lo louco de prazer. O seu objectivo era o sexo imponente do homem. Queria senti-lo na boca, queria chupá-lo como adorava fazer. Sentir aquele latejar na sua língua, entre os lábios, saborear aquele paladar que a excitava. Atrás de si, o Sr. I puxava pelo elástico do fio dental, despindo-lho. Para depois afundar o rosto entre as nádegas femininas, aspirando o seu odor.
Os gemidos intensificavam-se, a excitação subia a cada minuto. O primeiro a sentir as delícias do orgasmo foi o Sr. W, soltando o prazer quente nos seios de Shiva.
A cama veio em seguida. Com as duas bocas masculinas no seu corpo. As mãos irrequietas por cada recanto. O corpo de um enfiado no dela em movimentos alucinantes. O pénis de outro na sua boca ansiosa pela carne rígida e quente. A troca. O orgasmo dela. A invasão do seu corpo em todos os sentidos. As nádegas afastadas para receber a possessão do Sr. I. O regalo do Sr. W enquanto observava e aguardava a sua vez. A vulva quente a receber um pénis que deslizava impetuosamente, ora quase saindo, ora enterrando-se profundamente, com Shiva semi-deitada no corpo do Sr. I, os seios agarrados pelas suas mãos morenas de dedos longos que deram lugar à boca que parecia querer engoli-los. As mãos que desceram para agarrar-lhe o rabo, os dedos que se apertaram para afastar as nádegas preparando-a para a outra invasão masculina. A pausa. O toque. A entrada. A invasão. Os movimentos que a faziam gritar de prazer. O odor a sexo impregnado em todo a ambiente. Os corpos alucinados numa cavalgada de luxúria. A loucura do sexo a três. O prazer de ter dois homens proporcionando-lhe assim prazer. Os gritos. Os orgasmos. O suor deslizante pelos três corpos.
O descanso. Os suspiros.
A satisfação completa.
- Extraordinária – despediu-se o Sr. W.
- Ver-nos-emos mais vezes, talvez com outras fantasias – continuou o Sr. I.
- Sempre que o desejem – sorriu Shiva.

Tinha sido assim na noite passada e agora sentia-se repousada, plenamente satisfeita e tiraria o seu dia de descanso. Desligou o telemóvel.


© Sutra 2008

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